Embriões humanos: a última esperança

 

As células tronco embrionárias seriam, segundo os pesquisadores não somente promissoras, mas a única esperança para certas doenças degenerativas e genéticas. É dado como certo, segundo a opinião desses homens de ciência, que dessas pesquisas resultarão curas maravilhosas, hoje impossíveis, que atenuarão o sofrimento de milhares de pessoas.

A discussão tem como alvo se seria lícito ou não a utilização deste material, se os embriões seriam coisas vivas ou não. As questões jurídicas técnicas misturam-se às questões morais, filosóficas e religiosas. Há, ainda, todos os tipos de interesses envolvidos: na saúde, na doença, no lucro, poder, controle e política. Tudo extremamente complexo e complicado.

Não há nenhuma dúvida na mente do cidadão se seriam realmente válidas tais pesquisas, se esta abordagem sobre a saúde é o melhor caminho. O problema não é como eles devem pesquisar, quais os limites, mas se a sua pesquisa tem alguma validade. Aceita-se muito facilmente que aquilo que os especialistas dizem é correto. Nem em sonho se imagina que esta busca de cura poderia ser inútil, cara e perigosa para a saúde. As alternativas a este modelo estão censuradas. Ninguém ousa mencioná-las. E elas existem. A questão ética começa muito antes, começa no questionamento deste modelo de busca de curas.

A verdade crua é que a filosofia que está na base da ciência de cura atual é completamente materialista, amoral. A tal ponto que ela acredita que todo o Universo e toda a vida e complexidade, o próprio homem, a consciência, o amor e tudo mais, são produto do acaso, da sorte, de “seleção natural”. Sendo assim, finalmente, dentro do que atualmente se chama pesquisa e ciência não há nenhum espaço para questões morais, mas somente para resultados, para efeitos, não importando os meios utilizados para chegar àqueles fins desejados. Cabe à sociedade impor limites aos métodos da ciência.

É muito correta a discussão da ética e da correção de se fazer ou não uma pesquisa assim, com todas as suas implicações e riscos. Porém, antes é necessário pôr em dúvida e não acreditar tão ingenuamente que aquilo que os especialistas dizem é o único caminho, a verdade absoluta. Eles acreditam que os destinos da humanidade estão exclusivamente em suas mãos e mentes. É aí que começa a ética e é aí que começa a discussão sobre nas mãos de quem vamos entregar nossas vidas. É este modelo de ciência que precisa ser questionado. Se eventualmente chegarmos à conclusão de que este modelo é falso, então todas as suas propostas de pesquisas também serão igualmente falsas.

No caso, os embriões são apenas a bola da vez. Os nazistas e os fascistas pesquisaram com seres humanos adultos inteiros e os resultados de suas pesquisas são extensivamente empregados até hoje por esta mesma ciência que agora anuncia os embriões humanos como a última e única esperança.