Dengue: você pode evitá-la

 

Assim como outras epidemias vieram misteriosamente e se foram, esta também, como veio, partirá e esqueceremos dela. Como prevêem os especialistas, ela voltará um dia. O que cada um pode fazer por si mesmo para não adoecer?

Cuide bem de sua saúde, não abuse, não se intoxique, coma alimentos frescos e crus, vá para o sol e o ar livre, mantenha tudo muito limpo, em você e em torno de você, não tenha medo, confie mais na sua capacidade inata de evitar doenças e curar-se. Não espere por milagres de última hora, não espere que alguém ou alguma coisa possa fazer mais pela sua saúde do que você mesmo!

Já ocorreram 48 mortes no Rio de Janeiro nos três primeiros meses de 2008, supostamente por dengue. Este número supera os 31 óbitos ocorridos no Estado em todo o ano passado. Desde o início do ano, mais de 32 mil casos, supostamente de dengue, já foram registrados no Estado. A palavra “supostamente” foi aplicada enfaticamente porque não há como afirmar que estas mortes tenham uma relação direta com o vírus da dengue. As picadas dos mosquitos, supostamente contaminados, podem ter contribuído efetivamente para o agravamento do estado de saúde destas pessoas. Porém, nem se pode dizer que elas realmente estavam infectadas e, mesmo que estivessem, é impossível afirmar que morreram como conseqüência da infecção viral.

Há um dado, a confirmar, que 90% das pessoas testadas no Recife apresentaram contaminação pelo vírus, isto é, já haviam sido picadas por mosquitos contaminados. Estas pessoas negaram que tivessem tido dengue alguma vez e, no momento estavam todas saudáveis. Segundo a opinião do infectologista David Uip, São Paulo corre um grande risco de ter também um surto de dengue.

Não há vacina para a dengue, não há tratamento específico, não se conhece com clareza a “ação” do vírus e a confirmação diagnóstica laboratorial é tão demorada que é inútil para o tratamento, porque seria perigoso esperar uma semana pelo resultado positivo ou negativo do exame. Todos os diagnósticos são, portanto, pelos sintomas somente – sobre os quais não se pode ter 100% de certeza.

O Estado não pode salvar todas as pessoas que adoecem e não pode evitar que muitas adoeçam. O esforço em melhorar as condições sanitárias é importante e indispensável. Por outro lado, lamentavelmente é a própria filosofia de saúde do Estado que se esforça em convencer os cidadãos a esperar pela prevenção ou pela cura. Costumam reafirmar que dispõem dos meios adequados para erradicar doenças e, caso as pessoas caiam doentes, salvá-las. Nem uma coisa nem outra parece tão simples assim, segundo o que estamos assistindo hoje.

Não é absolutamente correto dizer que determinada doença tem como causa única um vírus, uma bactéria, através de um mosquitinho – mesmo que não seja totalmente incorreto. Muitas pessoas estão agora mesmo sendo picadas por mosquitos contaminados e não adoecerão, enquanto outras sim – o que significa, que o vírus precisa de um meio, um sangue com certas condições propícias para se desenvolver. Sempre há múltiplas causas para alguém adoecer e a identificação destes fatores é o único antídoto e a única vacina real e segura nas nossas mãos.