O instinto de vida
O instinto de preservação quase desapareceu no homem moderno e tende a cair em desuso e tornar-se apenas um velho mito. De tanto desprezar e fazer pouco caso de suas defesas naturais o homem e a mulher não dão mais atenção aos avisos de seu organismo quando ele lhes indica o caminho a seguir, dos riscos que corre, e o que fazer para evitar danos ou a morte ou para preservar a vida.
Todos estamos bem dotados com um instinto de auto preservação que tem dois guias muito eficientes: a dor e o prazer. É pela sensação de dor que somos avisados dos perigos a que estamos submetidos e pela sensação de prazer somos levados para tudo o que conduz a preservação e o crescimento. A dor nos afasta do que nos ameaça e o prazer nos aproxima do que nos faz bem.
Contudo, às vezes, o instinto de vida precisa de ajuda neste mundo complexo e cheio de armadilhas. Nem sempre devemos fugir a qualquer custo da dor e do desconforto. E, também, nem sempre o prazer pode ser perseguido sem freios. Ao tocar um objeto quente puxamos a mão reflexamente por causa da dor, mas se fizermos a mesma coisa no dentista podemos provocar um desastre e sofrer ferimentos. Homens e mulheres fisicamente compatíveis se atraem e se dão prazer, mas entregar-se a isto sem medidas ou com uma pessoa proibida, ou na hora errada pode ter más conseqüências.
Ainda podemos confiar na pureza do nosso instinto de preservação?
Duas coisas reduziram muito nossa eficiência: o excesso de conceitos que se adiantam e atropelam as sensações e os maus costumes que perverteram nosso instinto a ponto de acharmos frio o que está, de fato, fervendo.
Não podemos viver como os animais que são inocentes e simples, nós somos humanos. A Natureza espera muito mais de nós.