A guerra ao colesterol

 

A polêmica sobre o colesterol e o seu tratamento com as estatinas foi matéria de capa da Época n° 520. É assunto recorrente a constatação de que uma determinada droga, que pouco antes era considerada uma panacéia, agora está no banco dos réus - ou elas são acusadas de pouco eficientes ou tóxicas, a ponto de não compensar utilizá-las.

Não é novidade que algumas condições contribuem ou determinam riscos sérios à saúde: obesidade, sedentarismo, tabagismo, alimentação inadequada, estresse, poluição, etc. A conseqüência de hábitos inadequados resultará em diabetes, em altas taxas de colesterol no sangue, entupimento de artérias, doenças renais, hipertensão e outros sintomas de má saúde.

Há muitas pessoas com colesterol “baixo” que têm um ataque cardíaco e, há muitas pessoas com colesterol “alto” que não têm ataque cardíaco. Mas, é certo que um número maior de pessoas que têm colesterol elevado sofrerão um ataque cardíaco. Por que? A conclusão óbvia seria que o colesterol causou o ataque cardíaco e que, portanto, devemos baixar o colesterol a qualquer custo!

As coisas não são tão simples assim. Muitos outros fatores não menos importantes que o colesterol elevado contribuem para as doenças circulatórias. A idéia de que há uma causa única, um inimigo a ser combatido, é ingênua. Não é o colesterol a causa do ataque cardíaco, mas antes, todas aquelas condições que, além de provocarem esta disfunção metabólica também levam a outras alterações na saúde.

Tentar diminuir o colesterol com substâncias altamente tóxicas pode ser inútil e perigoso. Além da intoxicação os resultados serão pobres porque tomar um remédio não eliminará os erros e não anulará as conseqüências destes erros – não há nenhum poder mágico nestas substâncias. O colesterol elevado é um sintoma de má saúde e não a “doença” a ser combatida. O colesterol é uma substância produzida, na sua maior parte, pelo próprio organismo e essencial à vida. O seu excesso, por outro lado, significa que estamos doentes e que precisamos de cuidados e também mudar nossos hábitos.