Comendo para viver
Nunca antes na história comemos tanto. Quase todas as atividades humanas giram em torno da mesa. Cozinhar é hoje um grande show e ajuda a vender quase tudo. Estamos vivendo para comer. Comer transformou-se em um evento social, em uma maneira de compensar frustrações, estimular-se e de gozo.
Toda esta expansão da atividade alimentar e a grande oferta de produtos de todos os tipos levaram a um consumo excessivo de produtos supostamente alimentares. Comemos muito e freqüentemente. E, ainda, comemos coisas muito processadas, artificialmente temperadas, coloridas, com formas e texturas estranhas as características originais dos produtos naturais.
A fome e o paladar são funções instintivas, ou seja, nascemos com impulsos naturais que nos protegem e nos capacitam a escolher os alimentos em qualidade e quantidades adequadas a nossa saúde. Mas, o que encontramos são os mais variados paladares e costumes em relação a quantidades. Cada família, cada etnia tem seus hábitos alimentares fruto de sua herança cultural.
Logo depois do nascimento começa o programa de transformar a natureza do bebê. Os pais se esforçam por impor os seus hábitos artificiais e logo tudo o que veio como bebê, seus instintos, seus gostos naturais são substituídos pelos dos pais e por orientações de especialistas em nutrição. O resultado desta desconstrução dos instintos é que nunca mais na vida a pessoa ela saberá o que é bom para ela e quanto deve comer.
A busca maníaca por sabores e os excessos alimentares são o resultado de uma cultura baseada em viver para comer e a perversão dos instintos naturais. Comemos demais e incorretamente e estes são as principais causas de uma saúde frágil e cambaleante. Precisamos voltar a sentir a voz de nossos instintos. Somente a manifestação de nossa verdadeira natureza nos dará a condição de poder escolher os alimentos que precisamos e na quantidade adequada.