O acidente que tirou a vida da Sra. Ruth Cardoso
É sempre doloroso falar sobre a doença e a morte. Quando se trata de uma pessoa tão especial, a comoção é geral. Ao que tudo indica a Sra. Ruth Cardoso apresentava problemas cardíacos crônicos. O que surpreende é que ela foi examinada, passou por cateterismo cardíaco e recebeu alta para voltar em segurança para sua casa e, em seguida, sofreu uma complicação cardíaca fatal.
Há uma crença injustificada nos diagnósticos e nos prognósticos médicos: a medicina está muito longe de ser uma ciência e é muito imprecisa em seus resultados. Se fosse exigido dos médicos a mesma regularidade e certeza que exigimos de um engenheiro que constrói uma ponte e que, quando corretamente erguida, segundo as leis da física, ela não cairá – se a comparação valesse os médicos estariam em apuros. Não há certezas em diagnóstico, nem em prognóstico (previsão) e menos ainda em resultados seguros.
O procedimento pelo qual a falecida passou, o cateterismo, é bastante questionável. Resultados de estudos demonstram claramente que o cateterismo é uma das piores escolhas para diagnóstico e intervenção cirúrgica. Por exemplo, o Instituto do Coração de SP comparou três procedimentos frequentes nas doenças cardíacas e concluiu:
No tratamento médico : Mortalidade: 1,5%; Infarto agudo: 3%
Após ponte de safena*: Mortalidade: 3,5% ; Infarto agudo: 2%
Após angioplastia* : Mortalidade: 4,5%; Infarto agudo: 8%
Fica muito claro que a angioplastia, procedimento resultante do cateterismo é de alto risco – me perdoem os doutores. Palavras deste mesmo estudo parecem conclusivas: “Estudo multinacional desenvolvido entre abril de 1999 e março de 2003, o qual envolveu 28.825 pacientes internados em 106 hospitais de 14 diferentes países demonstrou que a despeito de muito maiores taxas de intervenção com angioplastias e cirurgias de ponte de safena, aqueles primeiramente admitidos a instalações com laboratório de cateterismo não tiveram benefício na sobrevida; ao contrário, eles tiveram um risco aumentado em 14% nos primeiros 6 meses”.